sábado, novembro 25, 2006

Brás: berço da indústria do Brasil

O bairro do Brás, na capital paulista, já foi um dos mais importantes do país, quando no início do século a Matarazzo tinha ali suas indústrias. As Indústrias Matarazzo faliram em 1983 e já nesta época o Brás era um bairro degradado. Anos abandonado pelo poder público e também da população, fez com que a sujeira, os prédios abandonados e outros em péssimo estádo de conservação tornaram um realidade.

Atualmente o Brás concentra indústrias e lojas de confecções, todas do porte pequeno e médio, empregando e girando a economia.

Outra face da degradação do Brás são as igrejas evangélicas e por ali são muitas. A Celso Garcia no passado tinha as lojas elegantes de roupas, restaurantes, magazines com as "Lojas Pirani". Onde hoje está a Igreja Universal, na esquina com a padaria Garoto começou a primeira loja, onde depois se transformou na Metal Leve.

Os prédios caindo aos pedaços, mostra a pujança e potência econômica que foi o Brás no passado. A Matarazzo era a mais importante, mas existiam outras.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Belas Artes vai fechar

Uma das mais tradicionais da Avenida Paulista, a Belas Artes vai fechar no dia 30 de outubro. Frequentada por jornalistas e escritores, há décadas era um dos pontos de encontro dos intelectuais na capital.

Todo seu estoque está sendo vendido com descontos de 30% a 50%.

A livraria Belas Artes fica na Avenida Paulista, 2448 - (11) 3231-5764 / (11) 3259-0668.

Ainda sobre blogar

O formato do blog é tão inovador que provocou mudanças enormes também no jornalismo. O site do The New York Times foi reformulado tempos atrás e no estilo de um blog. Em seguida todos os jornais eletrônicos do mundo inteiro também promoveram estas mudanças. E ocorreu também no estilo de escrever, com notas curtas, fáceis de ler.

O ato de blogar virou um síndrome e a cada dia surgem novas ferramentas que facilitam a tarefa. É possível postar artigos por e-mail e telefone celular. Muitos eventos estão sendo cobertos on-line, agilizando a tráfego da informação.

O que começou como se fosse um diário pessoal, transformou-se numa das maiores inovações dos últimos tempos.

E você já começou a blogar?

terça-feira, outubro 24, 2006

O Mundo é Plano

O livro "O Mundo é Plano" de Thomas L. Friedman (Editora Objetivo, preço R$ 59,90) do jornalista do The New York Times, é sobre a mudança do mundo dos negócios após a queda do muro de Berlim e a explosão do uso da internet.

É de leitura fascinante e, Thomas L. Friedman é profundo conhecedor do assunto sobre o impacto da terceirazação e a mudança em todas as áreas. Como aconteceu com o muro, muitos paradigmas foram derrubados e abriu-se um mundo novo de desafios e oportunidades.

A globalização trouxe muitos benefícios, com muitas opções de produtos e preços mais competitivos, mas ao mesmo tempo, também o desemprego e o medo da insegurança da falta da seguridade social e de uma carreira.

É leitura imprescindível para aqueles que gostam do assunto e, mais ainda para aqueles que estão entrando no mercado de trabalho, pois se ocorreram tantas mudanças nos últimos, muitas coisas ainda virão.

Boa leitura!

Blogar

Depois da criação da internet, o blog foi a maior inovação. Hoje pelo mundo todo, muitas pessoas conjugam o verbo blogar a todo momento. Blogam sobre todo tipo de assunto e agora qualquer cidadão pode emitir suas opiniões e críticas. Divulgar suas angústias, seus conhecimentos e a cada dia, a blogosfera cresce mais ainda.

Ontem li em um site que a China não vai permitir que seus cidadãos bloguem anonimamente. Um país que cresceu muito, mas ainda não aprendeu a conviver com a democracia que a internet permite. Depois da queda do muro de Berlim, a internet está causando uma revolução em todos os campos. O mundo não mais foi o mesmo depois que começamos a acessar e conviver com o fantástico mundo da web.

Muitos críticos dizem: escrever para quê? Ninguém vai ler o que você escreve. Acontece que o mundo dinâmico da internet, não é necessário que o que escreva seja lido de imediato. O importante é esta informação está lá, disponível para todos, em qualquer lugar, em qualquer hora. Basta ir em um site de busca, digitar a palavra e milhares de informações vêm à sua tela. E para isto acontecer é preciso que milhões e milhões de pessoas estejam escrevendo e colocando informações.

Em uma palestra que assisti sobre blogs em agosto, foi falado sobre o vício de blogar. O blogueiro depois que entra neste mundo, quando surge qualquer idéia ou assunto, imeditamente escreve e já publica. Esta facilidade de divulgar está fazendo com que eliminemos diversas etapas.

Se hoje já está assim, imagine o que nos aguarda no futuro.

sexta-feira, outubro 20, 2006

O sucesso dos blogs

Não há dúvida que os blogs tornaram a maior revolução depois da invenção da internet. A facilidade de expressar suas opiniões e divulgá-las para o mundo todo e rapidamente, está transformando as comunicações e, isto incomoda muitas pessoas e grupos. Um pastor nos Estados Unidos diz que os blogs são contra deus.

Em sua edição de 31 de julho de 2006, a revista Época publicou uma reportagem sobre o sucesso dos blogs.

segunda-feira, outubro 09, 2006

A carreira de José de Souza

Todas as pessoas que o conhecem vão concordar: ele é polêmico, visionário, empreendedor e persistente.

E hoje, o setor de transporte rodoviário deve muito a suas idéias e luta para a melhoria dos processos operacionais e administrativos. Exemplos não faltam: o controle da coleta por telefone, a diminuição do tamanho do conhecimento (documento de transporte), a simplificação da fatura, o atendimento a clientes, a informatização dos processos, os tarifários, o código de barras, a adaptação do EDIFACT, o marketing, a formatação de filiais e tantas outras.

É paulista de Guararapes, interior do estado. No final dos anos 60 veio para São Paulo e iniciou sua brilhante carreira na Forest, uma transportadora da qual saíram várias pessoas que tornaram a Dom Vital, uma das maiores empresas de transporte no Brasil. Nesta empresa, implementou quase todas as suas idéias.

Por volta de 1977, quando informática era coisa para universidades e bancos, coordenou a implantação do primeiro sistema desenvolvido para transporte no Brasil, que tornou-se o padrão, utilizado até hoje. Desenvolvido em Basic, este sistema era executado nos equipamentos SISCO. Tempos difíceis no regime militar, quando existia a reserva de mercado de informática e as novidades lançadas no exterior demoravam muito a chegar no país.

A profissionalização do setor de transporte de cargas foi e é uma das suas maiores bandeiras. Buscou muitas pessoas em outros setores e gente nova, com garra e determinação para desenvolver vários projetos.Por isto que a empresa que dirigia tornou-se a maior e melhor empresa do Brasil, ganhando vários prêmios da Revista Exame e outras entidades. A Dom Vital em pesquisas de entidades independentes foi considerada a mais lembrada quanto ao quesito de transporte de cargas e, chegou a faturar US$ 100 milhões, anualmente.

Sob sua coordenação, os sistemas de informática e serviços de coleta e entrega foram formatados, visando atender melhor os clientes. Quando a informação ágil era considerada artigo de luxo, insistia que transportar todo mundo transporta, mas o diferencial estava em entregar rápido e ter as informações do processo nas pontas dos dedos, como dizia Bill Gates.
Quando a ISO 9000 era novidade, coordenou o departamento de qualidade total, conseguindo a certificação da empresa em apenas seis meses.

Com excelente retórica, fez palestras no Sindicato dos Engenheiros, NTC, SETCESP e outras entidades.

Sempre viaja ao exterior com o objetivo de enriquecer os seus conhecimentos e trazer experiências inovadoras.


O início

José de Souza veio passar as férias na casa de sua tia em São Paulo, em 1964. Nesta época trabalhava na contabilidade de uma fazenda, em Guararapes.

Gostou de São Paulo e passou a procurar um emprego, quando se deparou com um anúncio de uma vaga para auxiliar de expedição e exigia que o candidato fosse "exímio datilógrafo". Como já tinha muita prática com a máquina de escrever, e acostumado a trabalhar em fazenda, antes das sete da manhã já estava na porta da empresa. Souza lembra até hoje o endereço: "Avenida do Estado, 5315".

Estava na porta quando chegou uma pessoa e perguntou se era candidato a vaga de auxiliar. Respondeu que sim e então esta pessoa tirou o molho de chaves da cintura e o entregou e disse: "rapaz, o escritório fica ali em cima. Abra o escritório que já vou subir". Esta pessoa era o gerente da empresa, Sr. José Caliendo.

Souza abriu o escritório e em seguida chegou João de Brum e o perguntou se era o candidato e pediu para que fizesse o teste que era copiar na máquina de escrever por cinco minutos alguma matéria do jornal "O Estado de São Paulo". Pegou uma folha, colocou na máquina e começou a copiar num ritmo frenético. João de Brum fez sinal para parar e disse: "garoto você é bom demais".

Quando Sr. José Caliendo entrou no escritório e perguntou a João como fora o teste, este respondeu que o candidato era bom demais e por ele estava contratado. Caliendo perguntou a Souza quanto queria ganhar. Disse um valor razoável, informação lhe passada pela tia e, então Sr. José perguntou se poderia começar imediatamente, respondendo que sim.

E assim, Souza iniciou sua carreira na Forest, uma transportadora conhecida pela sua rapidez e confiança em transportar cargas. Nesta época a empresa tinha unidades em Porto Alegre, Novo Hamburgo, Pelotas, Rio Grande e muito tempo depois, Curitiba. A empresa foi fundada pela família Forest, de origem italiana.

Voltou a Guararapes para pegar suas coisas e pedir demissão do emprego. Disseram que em menos de trinta dias estaria de volta, mas isto não ocorreu e continua em São Paulo e, trabalhando até hoje.

Ficou morando com a tia por quinze dias e depois passou a morar numa pensão próxima a empresa, e nelas ficavam seus companheiros de trabalho, João de Brum e um sobrinho do Sr. Forest. Souza conta rindo que pegar ônibus por quinze dias foi o suficiente.

E desempenhou bem sua função que em três meses tornou-se chefe do escritório e, em um ano já era gerente. E nestas duas mudanças de cargo, recebeu substancial aumento de salário.
E na Forest, todos os dias existiam enormes desafios, de fazer com que o armazém ficasse limpo, com todas as mercadorias entregues. Sr. José Caliendo era uma pessoa exigente e primava pelo profisionalismo. Dedicava a maior parte de seu tempo a empresa e, estava sempre preocupado e criar novas maneiras da mercadoria ser entregue com maior rapidez e segurança na casa do cliente. Praticava a transparência, sempre dizendo ao cliente o que ocorria e tanto que no conhecimento da empresa tinha a seguinte frase: "Verifique nosso prazo de entrega". Cumpria o que prometia e ainda pedia ao cliente para confirmar.

Souza passou a acompanhar Sr. José Caliendo nos jogos de várzea na Pompéia, onde jogava Lourenço Diaféria, jornalista e escritor. Iam à missa nos domingos pela manhã e depois passavam na empresa para ver se tinha alguma coisa para ser feita, participava das festas de aniversário de suas filhas. Além do profissional, tornaram-se grandes amigos.

A Forest procurava sempre estar na dianteira, usando veículos melhores e métodos inovadores. Certa vez, caiu uma ponte no estado de Santa Catarina. O exército recuperou rapidamente a ponte, mas poderia passar somente ônibus. Os caminhões tinham que fazer um desvio por uma região difícil de tráfego. Souza lembra que saiu na imprensa da época uma reportagem em que a Forest foi a única empresa que conseguiu chegar com as cargas em São Paulo, em tempo hábil.
Quando surgiu os jatos, o Sr. Forest criou o nome "Forjato" e um dos lemas da empresa: "Viajei Forest cheguei bem". A empresa com todas as dificuldades da época, fazia o trecho de São Paulo-Porto Alegre com o prazo de 18 horas e atendia principalmente, a indústria automobilística. O sr. Forest gostava de velocidade e participava de corridas, no autódromo de Interlagos e, por este motivo tinha carros possantes. Palmeirense fanático, sempre convidava os funcionários para assistir os jogos de seu time no final de semana. Sr. José Caliendo no entanto, era corintiano. Tanto que Souza lembra que andava com dois cartões. Um da empresa e outro do Corinthians, benzido pelo Dom Paulo Evaristo Arns, outro corintiano roxo.

As comunicações naqueles anos 60 eram bastante precárias. Tanto que para conseguir um telefonema para Porto Alegre levava dias. E então, usavam para comunicar os embarques, os telegramas da Western Union. E Sr.Forest, José Caliendo e Souza criaram um método para transmitir o máximo de informações possíveis, com o menor custo. Souza exemplifica:

101M597 102D498 TM597 TD597

O que significa isto? No primeiro caso: o caminhão da frota número 101 com carga de miudezas chegará no dia 05 de setembro às 07:00hs – no segundo: o caminhão da frota número 102 com carga direta chegará no dia 04 de setembro às 08:00hs – o terceiro: caminhão de terceiro com miudezas chegará no dia 05 de setembro às 07:00hs – e o quarto: caminhão de terceiro com carga direta chegará no dia 05 de setembro às 07:00hs.

Desenvolveram técnicas também para conferir os cálculos dos conhecimentos, manifestos e faturas. E eram eficientes, visto que o quantidade de erros era mínima.

Por volta de 1967, o Coronel Américo Fontenelle causou polêmica ao mudar o fluxo de trânsito na capital paulista. Aconteceram inúmeros protestos e o coronel para implantar suas idéias em vários pontos colocou o exército nas ruas.

O coronel fez uma palestra na auditório da Pirelli no centro de São Paulo para explicar os motivos desta mudança. Sr. José Caliendo convidou Souza para ir e perguntou a este se sabia dirigir o JK, do Sr. Forest. Souza respondeu que sim e foram da Av. do Estado até o centro testando a nova rota imposta pelo coronel e no caminho via os soldados armados. Ao chegarem ao centro, naquela época não existiam estacionamentos e o jeito foi deixar o carro na rua. E descobriram que não conseguiam fechar o carro. Resolveram deixar o carro na rua aberto e ir assistir a palestra. Ao voltarem o carro estava do mesmo jeito que haviam deixado. Bons tempos aqueles, onde havia segurança.

A Forest acabou sendo vendida para o grupo Calçadas que possuia muitos outros negócios como seguradora, revenda de veículos, etc. Com isto, vieram diretores, gerentes e o entusiasmo do grupo perdeu o fôlego.

Moraes trabalhou com o grupo por uns 90 dias e saiu, indo para a empresa Rodovia Dom Vital. Em seguida levou todo o grupo. Alfeu, o último a sair.

O nome mudado de Rodovia Dom Vital para Ultra Rápido Dom Vital e onde este grupo: Moraes, José Caliendo, Souza e Alfeu transformaram esta empresa em uma das maiores no transporte rodoviário de carga do país.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Corredor Literário

Está sendo realizado esta semana na Avenida Paulista, a segunda edição do Corredor Literário. Muitos eventos estão progamados.

A feira de livros este ano acontece em um espaço na FIESP. Estive hoje por lá e ainda os livreiros estão arrumando as barracas. Existem muitas opções e promoções. A editora Francis está presente e, com promoções em diversos títulos.

domingo, agosto 27, 2006

Mimeógrafo

Pouco gente se lembra desta equipamento, muito usado nas escolas por décadas para fazer cópias de textos e provas. Em alguns lugares, o mimeógrafo ainda é utilizado. Esta maravilhosa invenção do grande, Thomás Alva Edison, permitiu a disseminação da cultura, para pequenas tiragens.

Por todo o Brasil, publicava-se jornalzinhos e fanzines utilizando o mimeógrafo com meio de impressão. Era trabalhoso, precisa ter muito cuidado ao datilografar para vazar a matriz. Um matriz de carbono produzia no máximo 40 cópias, sendo as últimas não muito legível.

Tempos depois apareceu o mimeógrafo à tinta, com melhor qualidade. As primeiras e últimas cópias eram iguais.

Quantos poetas e escritores distribuiam seus primeiros trabalhos mimeografados? As coisas modernizaram bastante e hoje o meio usado para isto é o blog.

YouTube

O site YouTube já virou um febre na internet. E nele é possível assistir muitos clipes que você não encontra em DVD, principalmente dos grupos e banda dos anos 70 e 80, que fizeram a melhor música de todos os tempos.

Vai uma dica a música Sara de Jefferson Starship. Excelente música e clipe. E outra raridade um clipe da Donna Summer em início de carreira, cantando a música "The hostage".

sexta-feira, agosto 25, 2006

Loucuras por uma aventura amorosa

Todos nós sabemos de histórias das loucuras que certas pessoas fazem para ter uma aventura amorosa. Inventar desculpas e depois criar todo um cenário e condições para que aquilo seja aceito como verdade. Mas existem umas que passam dos limites. Uma pessoa chegou a viajar de avião de São Paulo a Brasília para encontrar uma pessoa e voltar no final da tarde, sem que a esposa soubesse. Imagine se acontece uma tragédia?

E estes encontros todos marcados pela internet e o mais interessante a mulher de Brasília é que pagava todas as despesas.

Outra vez, esta mesma pessoa para ter um encontro, inventou para a esposa que ia pescar com amigos no final de semana. E para isto, combinou com um dos amigos, que sabia do encontro, para passar em sua casa e lá carregaram todos os apetrechos de pesca, tais como: varas, anzóis, chapéu, comida e outras coisas. E partiu para um final de semana agradável com a amante. No domingo, passou na casa do amigo e colocou de novo os apetrechos no carro e o sujou com areia, para a história ficar convicente.

Jaguar na Primavera dos Livros

A palestra do Jaguar, no dia 20 de agosto, na Primavera dos Livros foi sensacional, como já contei em post anterior.

Vou relatar ainda mais algumas coisas que contou. Disse que um dos censores do Pasquim, o General Juarez Pinheiro, pai da Helô Pinheiro. Eles descobriram que o general tinha uma garçoniére, um apartamento usado para encontros, antecessor do motel e, tinham que levar lá as matérias para serem analisadas se poderiam ou não serem publicados. E quando a moça chegava, o general mandava que entrasse e ficasse aguardando e daí em diante a análise das matérias não era minuciosa. E o general Pinheiro foi demitido do emprego de censor, porque certa vez deixou passar uma entrevista com uma antropóloga americana que dizia ser o Brasil o país mais racista que havia conhecido. Depois deste fato, as matérias tinham que ser enviadas para Brasília para serem aprovadas.

Quando chegaram à casa de Jânio Quadros, este disse que ele teria apenas 30 minutos e no final, a entrevista durou mais de duas horas. Jânio ofereceu bebida e Jaguar aceitou, depois almoçaram e ainda acabou deitado no gramado da casa. E já tinham programado em seguida outra entrevista com Adelaide Carraro, autora do livro "Eu e o governador".

Contou que um da turma, Hugo Bidê tinha um rato branco. E este rato ficava com eles em bares da rua dos Jangadeiros. Molhavam pão com genebra de davam para o rato e este tornou-se depois o símbolo do jornal. Ocorreu que certa vez, o rato caiu de um parapeito e machucou-se. Como gostavam muito do rato, o levaram até o Hospital Miguel Couto para ser atendido e com este foi negado, o rato acabou morrendo, depois deles brigarem com os médicos.

Na sua opinião o maior trabalho era o título da capa. E acontecia constantemente de 30 minutos antes de fechar a edição e este ainda não ter sido definido. E no final, Jaguar disse que tudo dava certo. Falou ainda de Basbado, o cachorro que atuou em uma peça com a Leila Diniz. Era um foxy-terrier e só comia filé-mignon. Este cachorro pegava ônibus e atuava com perfeição, um verdadeiro artista e ainda por cima, disciplinado. Quando a Leila Diniz estava na praia e aparecia algum engraçadinho com cantadas, Basbado entrava no mar e chegar perto do galã balançava o corpo e o molhava, provocando risos nos frequentadores.

Finalizou contando sobre a devolução da medalha que recebeu da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Disse que estava em um bar e comentou que se Roberto Jeferson recebesse uma, devolveria a sua. Dias depois, saiu isto publicado na coluna do Anselmo Góis e como aquele fato se confirmou, foi pessoalmente devolver, sendo estampado como manchete no dia seguinte no jornal "O Dia". E ironizando disse que tentou usar a medalha como suporte do copo de chopp, mas nem isto ela servia pois era em alto relevo. Muitos risos e seguido de uma salva de palmas.

E Jaguar merece. Além de um excelente cartunista é um bom contador de histórias.

Plágio

Um dos assuntos discutidos na palestra das blogueiras no sábado, dia 19 de agosto, foi o problema de plágio de textos. E hoje com a facilidade de comunicação e acesso, isto virou uma verdadeira praga. Muita gente traduz textos copiados da internet e, sem nenhum escrúpulo coloca seu nome como autor.

Muitos estudantes utilizam a técnica de usar uma ferramenta de busca, fazem uma colagem e, entregam ao professor um trabalho como se fosse elaborado por ele. Atualmente, os comandos mais populares são Control+C e o Control+V, permitindo e facilitando a cópia de textos. Este assunto ainda precisa ser bastante discutido, uma vez que muitas pessoas que foram plagiadas, também plageiam, pois ao escrever uma matéria, usam na maioria das vezes, ferramentas de busca, e copiam um trecho ou vários e às vezes, não citam a fonte.

As novas tecnologias trouxeram a facilidade de cópias e o problema de uso não autorizado. É quase certo que num futuro próximo, novas regulamentações surgirão. E falando de plágio, Décio Valente publicou anos atrás um livro "O Plágio", onde conta casos em obras literárias. Gabriel Perissé escreveu um texto interessante "O Conceito de Plágio Criativo".

Uma leitora do blog Querido Leitor descobriu que vários textos escritos pela jornalista Rosana Hermann estavam sendo plagiados por um jornalista de Santa Catarina e, ela publicou vários posts a respeito do caso.

Breve história da música sertaneja

A música sertaneja passou em sua história por diversas fases. O início com duplas de violeiros trazidos do interior de São Paulo, por Cornélio Pires para apresentarem em teatros e gravarem discos. Os grandes nomes desta fase foram: Mariano e Caçula, Mandi e Sorocabinha, Paraguassu e Sebastiãozinho, além do próprio Cornélio.

Nos anos 50 várias apareceram as primeiras gravações de boleros, guarânias e rasqueado. Em 1956 a dupla Cascatinha e Inhana gravaram duas guarânias Índia e Meu Primeiro Amor, com versões feitas por José Fortuna (que tornaria um grande compositor da música sertaneja nos ano 70 e 80). A dupla Palmeira e Biá gravou em 1958 a música "Boneca Cobiçada", autoria de Bolinha e Biá. O sucesso foi tanto que Palmeira tornou-se diretor artístico da gravadora Chantecler. Palmeira e Biá gravam também neste mesmo ano Ana Paula, versão italiana de um rock-balada.

No início dos anos 60, o goiano Miltinho Rodrigues fez dupla com Tibagi e gravam Malagueña, a primeira música a usar instrumentos eletrônicos, como contrabaixo e bateria. A música não obteve sucesso esperado pela gravadora, devido a inovação. Naquele início de anos 60, os sucessos eram o rock dos Beatles e o iê, iê, iê de Roberto Carlos. As duplas além de mudarem o estilo musical, o visual também foi alterado. Misturando música mexicana, paraguaia, mato-grossense, italiana, bolero, etc surgiu então a denominada jovem música sertaneja. Em 1961, o Duo Glacial formado pelos irmãos Miguel e Aninha gravam a música "Orgulho" de José Fortuna e ganham o 1º lugar no Festival Sertanejo da Rádio Nacional. A dupla Pedro Bento e Zé da Estrada conseguiram seu primeiro sucesso em 1957, com uma valsa "Seresteiro da Lua" e em seguida seria a dupla que mais gravaria música do tipo "mariachi". Entraram embalados com o sucesso obtido por Miguel Aceves Mejía, figura extravagante com seu chapelão mexicano, vozeirão e emoção desbragada. As duplas queriam gravar rancheiras e com o som vibrante dos sopros mariachis, elementos que foram incorporados a música.

O caminho a ser seguido apontava para Belmonte e Amaraí e Tibagi e Miltinho que tinham incluído nos seus discos orquestas e guitarras, mas o repertório continuava com as guarânias, boleros e rancheiras. Eis que surge Léo Canhoto e Robertinho em 1969, com o discurso de modernização da música. As gravadoras gostaram disso e apostaram. Misturaram os trajes de boiadeiro e roqueiro. Camisas com cores berrantes abertas ao peito, grandes medalhões no pescoço e pulseiras nos braços. Os cabelos grandes. E na capa do disco apareciam montados em possantes motocicletas. A ala tradicional da música chiou, mas o caminho a seguir daí em diante era este. A dupla foi discriminada nos corredores da gravadora e nas rádios, mas o sucesso veio que uma forma devastadora. Batiam todos os recordes de vendas no disco, os circos lotados e as fãs quase enlouqueciam. Sem dúvida alguma, Léo Canhoto e Robertinho tiveram grande importância na renovação da música sertaneja.

Os filmes de bang-bang italianos faziam muito sucesso nesta época e também influenciaram as duplas, assim como também o western americano. No rastro de Léo Canhoto e Robertinho vieram muitas outras duplas, tais como Milionário e Zé Rico. Este estilo de música duraria todo os anos 70. Diz Paulo Rocco, diretor artístico da Continental que "antigamente gravava-se em um ou dois dias e a qualidade era péssima". Aos poucos, os sertanejos foram melhorando a qualidade de seus trabalhos, com a ajuda de profissionais que trabalhavam com cantores brasileiros que gravavam em inglês, tipo de música de muito sucesso nos anos 70 e do qual podemos citar Fábio Júnior e Chrystian (da dupla Crystian e Ralf). Com estes profissionais a parte técnica melhorou e o visual das capas dos discos. "Em 1981 lancei Carlos Cezar e Cristiano e pela primeira vez a música sertaneja utilizou-se de trabalho de marketing sério", diz Daniel Salinas, conceituado maestro no meio sertanejo.

Em 1982, outro marco na música sertaneja. Chitãozinho e Xororó, com mais de 10 anos de estrada lançam a música "Fio de Cabelo" que bateu a marca de um milhão e meio de cópias vendidas. Daí em diante as rancheiras e guarânias ganharam uma roupagem pop separando de vez a música tradicional da jovem música sertaneja. A música "De igual prá igual" da dupla Matogrosso e Mathias seria o grande sucesso de 1985. Roberta Miranda que fez parceria com Matogrosso nesta música ficaria famosa e emplacaria vários sucessos na sua voz e na de outras duplas, nos anos seguintes. Em 1986, com a música "Contradições" de Martinha e César Augusto, os espaços nas rádios abriram para Leandro e Leonardo. A consolidação do sucesso viria em seguida com "Solidão", composto por um desconhecido, Zezé di Camargo. Em 1989 viria a explosão do sucesso de Leandro e Leonardo com "Entre Tapas e Beijos".

Na era Collor, em 1991, Zezé di Camargo e Luciano estouram com a música "É o Amor" e depois não mais sairiam das paradas de sucesso, juntamente com Chitãozinho de Xororó e Leandro e Leonardo.

Artigo escrito baseado nos livros "Música Caipira-Da Roça ao Rodeio" de Rosa Nepomuceno; "O que é Música Sertaneja" de Waldenyr Caldas; e "Jornal Sertanejo" edição Nº 153.

Muita gente escrevendo

Indo numa feira como a Primavera dos Livros, é que temos idéia de quantas pessoas escrevem e também são editados. Nos corredores ouvia-se as pessoas comentando e mostrando seus textos. Muita crônica e principalmente, poesia. Será que não existem livros demais no mundo?

Palestra das blogueiras

Muitos posts em diversos blogs, sobre a palestra de sábado, "Blog é literatura?", na Primavera dos Livros. Embora tenha durado pouco mais de uma hora, o tema é tão interessante que poderia ter sido extendido. Mas temos a opção de continuar discutindo este assunto pelo blog.

Lucia Carvalho do blog Frankamente publicou um artigo enorme, contando a palestra em todos os detalhes. Outro relato muito bom no blog do Idelber. A Ivana Arruda Leite, do blog Doidivana, sempre simpática, elogiou a cobertura deste blog.

Mudanças pela informática

Acho que no mundo nunca se escreveu tanto como agora com o advento da internet. Para se comunicar pelo e-mail, orkut ou messager é preciso escrever. E isto está trazendo mudanças na linguagem. A abreviação é bastante usada e é quase certo que no futuro tudo isto se refletirá em nossa ortografia. No passado usava-se "Vossa Mercê" em seguida "Vosmecê", depois "Você" e agora na internet "vc". Onde será que vai parar?

Com o lançamento do sistema operacional Windows 3.11, trouxe o ambiente gráfico, isto é, usava ícones ao invés do usuário ter que digitar comandos enormes. A informática ficou mais interativa e permitiu seu enorme crescimento. Interessante ressaltar, que a invenção do ambiente gráfico ocorreu na Xerox, em Palo Alto, Califórnia e, implementado nos computadores Apple pelo visionário Steve Jobs e que, tempos depois foi um dos responsáveis pelo sucessos da Pixar, muito conhecida por seus excelentes desenhos animados.

Perenidade

Na palestra sobre "Blog é literatura?" discutiu-se muito se o livro seria mais perene do que o blog. As opiniões foram as mais diversas. Disseram que muitas vezes, fazem um post sobre um assunto que depois poderia virar uma crônica ou até mesmo um romance. Mas depois de publicado, perde-se o interesse devido aquele fato já ter sido divulgado.

O fato de ser publicado em livro não garante a perenidade, pois muitos exemplares quando não vendidos, viram polpa ou vendidos em bancas de saldão. E se a obra não fôr de boa qualidade vai ficar empoeirando na estante.

Primavera dos Livros

A feira aconteceu neste final de semana, no Centro Cultural de São Paulo, na Vergueiro e, contou com a presença de pequenas editoras. Muitas lançamentos e também promoções. A editora Francis estava vendendo excelentes livros a R$ 9,90 e R$ 14,90.

A editora Barracuda com destaque para o lançamento de Rádio Guerrilha - Rock e Resistência em Belgrado, a história da rádio sérvia B92, montada por um grupo de jovens que se opunham ao governo de Slobodan Milosevic. Esta editora também publica alguns livros de Edward Bunker.

Jaguar e o Pasquim

A palestra aconteceu no salão Primavera e mediada por Marta Batalha, diretora da editora Desiderata e responsável pelo lançamento do volume 1 de uma antologia do Pasquim, compreendendo o período de 1969 a 1970.

Jaguar começou dizendo que nunca gostou de trabalhar e menos ainda agora que está velho, arrancando gargalhadas na platéia e que Marta fazia jus a seu nome. A primeira pergunta de Marta Batalha foi a de sempre "como surgiu o Pasquim?". Jaguar contou que a primeira edição saiu com 20000 exemplares, contra a sua vontade. E já na primeira edição atingiu 80000 exemplares. E em seis meses estava na marca dos 200000 exemplares. E que isto aconteceu pois tinha em seu quadro o primeiro time da imprensa brasileira, pois muitos estavam desempregados devido a perseguição da ditadura militar.

Marta ressaltou que ficaram impressionados em descobrir que Vinicius de Moraes também escrevia nos primeiros números do Pasquim. Jaguar contou que muitos não sabem, mas ele também escrevia crítica de cinema no "Última Hora", e contava tudo que acontecia nos filmes. E segundo Jaguar, os textos são excelentes e valem à pena serem transformados em livro. Jaguar disse que constantemente, pessoas o achavam parecido com Vinicius. E que certa vez em Brasília uma pessoa o achou parecido com o Vinícius e mais ainda com o "falecido Jaguar". Muitos risos na platéia.

Em seguida passou a contar detalhes de sua prisão. Marta lembrou que ele e o Paulo Francis ficavam lendo Freud de cueca na cela. Jaguar contou que estava escondido em Arraial do Cabo, na casa do apresentador Flávio Cavalcanti. E na casa estava também a Leila Diniz. Recebeu um telefonema de Paulo Francis que já estava preso e que os milares só iam soltá-lo se ele e o Sérgio Cabral se apresentassem. Reclamou e Francis encerrou a ligação dizendo que a decisão de se entrega ficava com a sua consciência.

Disse que Flávio Rangel adorava ser preso. Pegou um táxi e foi até a casa de Flávio Rangel e este já estava com uma mala enorme. Perguntou para aquilo se iam somente dar um depoimento. Passaram e pegaram o Sérgio Cabral e foram para o Quartel dos Paraquedistas. Ao se aproximar resolveu voltar e Sérgio perguntou-lhe se tinha se arrependido. Jaguar respondeu que não, mas queria tomar uma dose antes. Ficou preso por sessenta dias e segundo, foram os "dois meses mais felizes de minha vida". Acordava de manhã e não tinha o que fazer, senão ler. E leu Ulisses e obras de Tolstoi, livros tão grandes que somente preso teria coragem de ler. Jaguar disse que neste tempo de prisão só ocorreu um ato de violência, o Luiz Carlos Maciel também companheiro, tinha um cabelo enorme e os militares se invocaram e resolveram cortá-lo. Foi preciso vários homens para segurá-lo. Os demais presos resolveram fazer uma greve de fome e Jaguar não concordou, pois já estava preso e ainda tinha que passar fome. Ele e o Flavio Rangel ficavam lendo a Revista do Clube Militar e faziam piadas das bravuras do militares. Passaram o natal na cadeia e o restaurante Antonio’s mandou perú assado, rabanada e outros tipos de comida. Sérgio Cabral e Ziraldo ficavam chorando por estarem longe da família. E assistiram o programa do Roberto Carlos.

Lembrou que um dos tenentes na época, conhecido por Macieira, tempos depois abriu um restaurante gay em San Francisco, EUA. E dos dois censores do Pasquim: Mariana e Juarez Pinheiro. Comentou sobre a entrevista de Flávio Cavalcanti do qual não participou e a com Jânio Quadros onde tomaram todas e ele acabou dormindo no gramado, assunto do qual depois fez uma crônica. No seu entender, a maior contribuição do Pasquim foi para a mudança da linguagem jornalística da imprensa brasileira.

E disse que ao fazer o Pasquim, o maior trabalho era colocar o título na capa. Finalizando disse que o ambiente da redação do Pasquim era de total liberdade e em sua mesa sempre tinha uma garrafa de uísque e conversavam aos berros.

Hoje, acha o ambiente das redações deprimentes, com as pessoas trabalhando numa baia e a conversa feito somente por meio do computador. Em seguida, Jaguar autografou a coletânia.